URBANO MEDEIROS: TALENTO E ESPIRITUALIDADE A SERVIÇO DO BEM

Silêncio. 

Ouve-se algo diferente… 

Parece uma música. 

Sim, é música. Um sopro que oxigena a alma. É o saxofone de Urbano Medeiros, grande mestre que herdou de Deus por meio do pai, Bill, o dom e o gosto pela música. 

E assim, desde criança, as sete notas passaram a encantar o ser daquele que se tornaria um erudito maestro. Mais importante que isso, porém, é o que Urbano fez e faz com o dom da música. De origem judaica sefaradita, Urbano Medeiros tornou-se cristão católico após um período de experiências juvenis. 

Eis o marco que revolucionaria o futuro do brilhante norte-rio-grandense, nascido no sertão do Seridó. Com o coração tomado pelo ímpeto de colocar sua música a serviço do bem de todo aquele que se fizesse próximo ou daquele de quem ele se aproximasse, não se conteve e pôs-se a caminho. Percorreu o Brasil e vários países do globo levando sua música, acalentando corações aflitos, sedentos de um sopro de vida, de um impulso que alavancasse o modo de ver e encarar a existência. 

A música de Urbano Medeiros nasce do silêncio, da oração, da intimidade com Deus. Praticante do hesicasmo, faz dessa modalidade de oração, música. Torna-se, pois, instrumento de Deus através de seu sopro musical, literalmente. 

Gravou vários CDs, DVDs, escreveu livros, mas seu foco é ser presença, ser suporte, levar amparo. Muitas foram as palestras, cursos e encontros ministrados por Urbano. E quantos e quantos foram os testemunhos de pessoas que se livraram da depressão, do vício do álcool, cigarro, drogas, prostituição, etc. após o contato com Urbano Medeiros e/ou com sua música. 

Grandes salas de concerto, palcos consagrados da música erudita, estádios lotados? Não, não! Urbano escolheu ser simples, humilde, mesmo sendo grande. Não faz acepção de pessoas, não obstante prefira estar junto dos pequeninos. Se alguém de uma grande mansão chamar Urbano, ele vai. 

Se, saindo desta casa nobre, um habitante de um paupérrimo casebre da periferia precisar de sua presença, ele vai. Na zona rural, nas populações ribeirinhas, nos presídios, hospitais, asilos; não importa. Chame Urbano! O seridoense. Nossos dias são controversos. Valoriza-se hoje o grotesco em detrimento do belo, a esperteza ao invés da honestidade… E por aí vai a derrocada. 

A repetição ininterrupta de duas ou três notas em sons estridentes, por exemplo, passou a ser chamada de música. Faz sucesso, está em todos os programas dos afamados canais de televisão, faz inúmeros e caríssimos shows. Sim. Mas, na imensa maioria das vezes, levando o quê? A degradação, os vícios, a desagregação; tudo o que vai resultar na infelicidade, na frustração, na depressão. 

Não nos enganemos, euforia jamais deveria ser falsamente equiparada à felicidade — esta que conduz à realização tão procurada, consciente ou inconscientemente, pelo ser humano. Somente a partir do conhecimento de si mesmo, da reflexão silenciosa, do bom, do belo e verdadeiro é possível de se alcançar a felicidade. 

Finalizando, convido você, caro leitor, a conhecer — caso ainda não conheça — a música, o trabalho e até mesmo, se possível, a pessoa de Urbano Medeiros. Você verá que nem tudo está perdido. Ainda temos grandes e valiosos diamantes que talvez não estejam necessariamente em ricas joalherias, mas também junto às pedras do caminho.

Por: Jorge Donizetti Pereira